LSD: entenda a relação dessa droga com problemas físicos e mentais

 

O LSD (dietilamida do ácido lisérgico), conhecido também como “doce” ou “ácido”, é uma substância sintética pertencente ao grupo dos alucinógenos, isto é, uma droga produzida em laboratório capaz de alterar as percepções, os pensamentos e os sentimentos de quem a utiliza. Ao consumir essa substância, a pessoa pode sentir, ouvir e ver coisas mesmo sem um estímulo tátil, auditivo e visual.

Os efeitos do LSD foram descobertos pelo químico suíço Albert Hofmann em 1943, cinco anos após ter criado a droga por meio da síntese do ácido lisérgico — substância presente em um fungo que ataca o centeio e outros grãos — enquanto realizava pesquisas para desenvolver um remédio para enxaqueca. Ao aspirar acidentalmente uma pequena quantidade da substância, cuja fabricação estava arquivada no laboratório em que trabalhava, Hofmann começou a ter alucinações e delírios.

A partir daí, o LSD despertou interesse científico e foi enviado para centros de pesquisa, médicos e psiquiatras de todo o mundo para ser testado em diferentes aplicações e tratamentos. Porém, para além do uso medicinal, a partir dos anos 1960 a substância passou a ser amplamente consumida como droga recreativa pelos adeptos do movimento hippie.

Devido ao uso indiscriminado, às experiências negativas relatadas por alguns usuários e aos casos de vício em drogas, a produção, o comércio e o consumo do LSD foram proibidos na maioria dos países, inclusive no território brasileiro. Apesar de ter sumido por um tempo, a droga voltou a se popularizar nos últimos anos, como uma das Club Drugs, principalmente entre jovens e adolescentes, que costumam consumi-la em bares, boates, shows e festas.

De acordo com o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Unidade de Pesquisa de Álcool e Drogas/Unifesp (UNIAD) em 2012, 1,4% dos adolescentes brasileiros já usaram alucinógenos alguma vez na vida; essa proporção cai para 0,9% entre os adultos. Nessa pesquisa, foram entrevistadas pessoas com idade igual ou superior a 14 anos, sendo consideradas adultas as com mais de 18 anos. O estudo destaca que a população de rua não entrou na amostra.

Uma pesquisa realizada em 2010 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas/Unifesp (CEBRID) com 50.890 estudantes de ensino fundamental e médio das redes pública e privada nas 27 capitais brasileiras aponta que 1% dos adolescentes entrevistados usaram LSD ao menos uma vez na vida.

Os sintomas decorrentes do uso dessa substância dependem da quantidade consumida, da frequência de uso, da personalidade da pessoa, de seu estado físico e emocional, do ambiente no qual se encontra, entre outros fatores. Porém, é comprovado que o LSD influencia no surgimento de problemas tanto físicos quanto mentais na maioria dos usuários. Confira abaixo os principais efeitos dessa droga:

Como o LSD age no organismo

O LSD é considerado o alucinógeno mais potente que existe. Microgramas dessa substância são capazes de causar efeitos significativos, como perda da noção de tempo e espaço. A droga é metabolizada no fígado e, ao entrar na corrente sanguínea, age no sistema nervoso central, causando alterações físicas e mentais, sendo rapidamente eliminada pelo organismo.

Na forma pura, o LSD é incolor, não tem cheiro e tem um leve gosto amargo. É vendido em forma de micropontos, líquido, cápsula, papel absorvente ou tiras de gelatina. Os efeitos mais comuns dessa droga costumam aparecer de 20 a 90 minutos após o uso e demoram de 6 a 12 horas para passar.

Efeitos físicos

Assim que tem início a ação do LSD, os usuários normalmente começam a sentir sintomas físicos como tremores, elevação da temperatura corporal, dilatação das pupilas, rápido aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, sudorese acentuada e boca seca. Depois de algum tempo, outros efeitos podem aparecer, como náuseas, vômito, perda de apetite, cansaço, problemas de coordenação, tontura e insônia.

Efeitos psíquicos

Por ser um alucinógeno, o LSD causa delírios, alucinações, confusão mental e sinestesia — condição neurológica na qual os sentidos se misturam ou se confundem, como sentir cheiro pelo tato ou ver sons, por exemplo. Distorções das cores, movimentos e imagens também são sintomas recorrentes.

Após o uso, a pessoa pode deixar de distinguir o real do imaginário ou ter dificuldade de pensar e se comunicar de forma racional. Pode haver alterações repentinas de humor, como medo, felicidade, raiva, tristeza, excitação, agressividade e euforia. Em alguns casos, a pessoa tem comportamentos impulsivos, estranhos e até mesmo perigosos.

Riscos do uso regular de LSD

Quem usa LSD costuma criar tolerância à droga e começa a recorrer a outras substâncias alucinógenas ou a ingerir doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito que antes. O consumo exagerado pode trazer sérios riscos à saúde, pois seus efeitos são imprevisíveis, e o corpo pode ter dificuldades em metabolizá-la, levando a sintomas persistentes, como distúrbios visuais, paranoia, pensamento desorganizado e mudanças de humor.

Alguns usuários perdem a capacidade de avaliar situações de perigo, têm comportamentos violentos ou sentem como se fossem invencíveis e tivessem habilidades sobrenaturais, como voar, flutuar ou andar sobre as águas. Isso coloca em risco a vida dessas pessoas e de quem está ao seu redor, pois não há controle sobre as suas ações e perde-se a noção da realidade, o que pode levar à morte.

Há ainda o chamado “flashback”, uma desordem de percepção persistente alucinógena, na qual o usuário revive algumas experiências da droga dentro de alguns dias, semanas, meses ou mais de um ano após o consumo da substância. Na maioria das vezes, esse sintoma ocorre sem aviso prévio, podendo interferir na rotina da pessoa. O uso regular de LSD também pode contribuir para o desenvolvimento ou o agravamento de transtornos mentais, como depressãoansiedadepsicose esquizofrenia.

Prevenção e tratamentos

O grande problema do consumo de LSD não está na dependência física, mas sim nas consequências psíquicas. Muitos usuários dessa substância passam a sentir efeitos crônicos e alterações constantes em sua percepção de mundo, o que causa sensações de pânico, descontrole e insanidade. Isso acaba criando isolamento social, mudanças de comportamento e diminuição da produtividade no trabalho e em outras tarefas do dia a dia.

A prevenção e a busca por ajuda profissional são as formas mais eficientes de tratar problemas de saúde mental, conter o vício em drogas e evitar recaídas. Entender e reconhecer os seus problemas é o primeiro passo para o sucesso de qualquer tratamento psicoterapêutico, medicamentoso ou que engloba várias técnicas. Contar com o apoio da família e dos amigos também é essencial em todo o processo de cuidados, adaptação e reinserção social.

A internação é uma opção para quem tentou outros tipos de tratamento sem resultado ou sente a necessidade de um acompanhamento constante de uma equipe de profissionais especializados, pois tem muita dificuldade em largar o vício em LSD e outras drogas ou apresenta comportamentos de risco para si mesmo e para outras pessoas.

Para saber mais informações sobre essa alternativa de tratamento, leia o artigo “Entenda como funciona a internação para dependentes químicos”.

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